Série: O que ganha quem corre uma maratona
Dois flashes em menos de 20 minutos definiram o final de uma jornada fantástica.
Eu passava pelo quilômetro 38 quando ingeri meu último gel de carboidrato.
Naquele instante, tive a certeza: a maratona estava entregue.
O mesmo gel, que já havia faltado ou sobrado em provas anteriores, ali se encaixou harmoniosamente.
Tudo convergiu: preparação, ambiente e fé.
Ao me aproximar do quilômetro 42, o barulho da multidão aumentava, vibrando pela vitória pessoal de cada guerreiro.
Olhei para o relógio pela última vez: 3h55.
Faltando apenas 195 metros, eu finalmente quebraria a barreira das quatro horas.
Mais do que um recorde pessoal, aquele tempo representava que eu, de fato, havia aprendido a correr uma maratona, revisitando as lições das minhas últimas cinco tentativas.
Mas a verdadeira maratona não aconteceu ali, no asfalto.
Ela aconteceu no que chamo de Treino Invisível.
O iceberg da conquista: O que ninguém vê
Quando um corredor cruza a linha de chegada e recebe a medalha, aquilo é a alegoria da vitória.
É a ponta do iceberg.
O que todos enxergam são a glória dos últimos 195 metros e o pórtico de chegada.
Porém, a maratona real acontece submersa, no ciclo de dias de sol e chuva, nos dias de dor que convidam a desistir, mas que lutamos no silêncio.
O treino invisível é a base que sustenta o show.
Nem sempre foi glória.
Lembro de um domingo de manhã, a 13 km de casa, quando senti uma dor aguda atrás do tornozelo esquerdo.
Faltavam dois meses para a prova.
Ali, misturou-se sofrimento, desânimo e o medo de ficar de fora.
O diagnóstico médico foi claro: eu precisaria conviver com a dor, pois a recuperação total só viria com o repouso pós-prova.
Foi a resiliência de continuar treinando, mesmo com dor, que forjou o resultado final.
A disciplina do silêncio e o “músculo” da persistência
Na maratona, vivemos o que chamamos de ciclo de periodização: a preparação para a exigência máxima.
É nesses momentos, nos treinos solitários de duas a quatro horas, que testamos nossa espiritualidade e medimos forças entre as pernas e o cérebro.
Existem momentos de flow total, onde a mente entra em sintonia perfeita com o corpo.
É quando você se sente pleno e sereno.
Dicas de leitura na Amazon:
📗Por que fazemos o que fazemos? Mario Sergio Cortella.
📙Essencialismo: A disciplinada busca por menos. Greg McKeown.
O pessimismo tenta te sabotar, mas a cada domingo você adiciona 1% a mais de sabedoria, mostrando que sua força ganhou novas fibras.
“A construção da disciplina de seguir treinando mesmo em ambientes hostis alimenta um outro músculo além daquele da perna: o músculo da persistência.”
Dizer ao cérebro que “continuar não é uma escolha”, mas sim uma obrigação, é mais difícil do que sair da cama quentinha em dia de chuva.
Do asfalto para a vida corporativa
Como não conectar essa dedicação às nossas competências profissionais?
No mundo corporativo, assim como na corrida, o caminho não vai esperar que tudo esteja perfeito para o show acontecer.
A oportunidade não vai encontrar você sempre no seu melhor dia ou no melhor ambiente.
Dicas de leitura do blog:
🔗Supere as crenças limitantes e tenha abundância.
🔗Escolhas: Um guia prático para tomadas de decisões conscientes.
O treino invisível nos ensina a criar os improvisos que nos sustentam.
A jornada nos prepara para não desistir sob nenhuma circunstância, adaptando-nos para seguir no propósito, seja para ganhar um troféu ou para se manter no jogo do mercado de trabalho.
O poder do “não”: Escolhas que transformam
Para viver o treino invisível, você precisa aprender a dizer muitos NÃOS.
- Não à comida industrializada, dando lugar a uma leitura crítica sobre o que nutre o corpo para o dia seguinte.
- Não às horas tardias em eventos sociais, trocadas por noites que começam cedo, pois o treino exige acordar antes do sol.
Parece sofrimento?
Para quem tem paixão, são escolhas.
São investimentos que trazem retornos imensuráveis.
Os aplausos na chegada celebram um silêncio e abstenções que a maioria das pessoas ali não faz ideia que você viveu.
Conclusão: Uma nova versão de si mesmo
Por fim, respondendo à pergunta desta série: o que ganha quem corre uma maratona?
Ganha uma nova versão de si mesmo.
Uma versão forjada no silêncio de cada treino, em cada noite de sono bem dormida e em cada refeição escolhida com sabedoria para fortalecer essa máquina que é o nosso corpo.
Estamos nos aproximando do final do ano, momento em que desenhamos o planejamento para sermos melhores do que fomos ontem.
Eu te pergunto: Você já pensou em como vai construir a sua nova versão?
Deixe sua resposta nos comentários. Vou adorar saber o que move você!


Exatamente, o ganho é o resultado positivo para saúde!
Isso mesmo Raka, uma jornada que vai reforçando e sustentando nosso corpo, mente e alma! Obrigado por sua partilha!